Seguradoras acionam plano de crise para atender clientes neste caos causado pela chuva

Fonte: Blog Sonho Seguro

As redes sociais WhatsApp e Instagram neste final de semana e nesta segunda-feira foram inundadas por vídeos que mostram os prejuízos causados pelas chuvas. Em São Paulo e no grande ABC a tempestade causou mortes, prejuízos e instalou o caos tanto para famílias como para empresas.

Diversos vídeos mostram carros saindo pela varanda de condomínios, veículos zero quilômetro que estavam à venda em concessionárias submersos, linha de produção da Mercedes-Benz com mais de um metro de água, supermercados inundados com produtos encharcados, casas destruídas, desde mansões até barracos soterrados por deslizamentos. O estádio do Morumbi, que se recuperava de perdas ocorridas há duas semanas, novamente foi atingido neste final de semana.

Mas infelizmente nem todos tem seguro. Um dos vídeos compartilhados nas redes sociais foi do apresentador Otávio Mesquita, que teve parte da sua mansão no Morumbi completamente destruída pela tempestade. As imagens mostram que a lama tomou conta do local e destruiu uma série de móveis e objetos, inclusive obras de arte. O apresentador disse ao Estadão que a residência não tinha seguro. “Não tinha seguro. Havia me esquecido e que isso seja uma dica pra todos! Façam seus seguros das suas casas!”, alertou.
Otávio Mesquita mostra no Instagram casa totalmente destruída após temporal em São Paulo. Ele não tinha seguro e recomendou que todos façam

“Infelizmente é na hora da dor que as pessoas pensam no seguro”, comentou Jarbas Medeiros, presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais Massificados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e superintendente de ramos elementares e transporte da Porto Seguro. Não se tem números consolidados sobre pedidos de indenizações e atendimentos solicitados e realizados, mas pelas conversas com seus concorrentes, Medeiros afirma que todos sentem que o aumento de pedidos de indenizações esta na categoria “severo”. Dados gerais devem ser divulgados apenas no final de março.
O estádio do São Paulo interditou a sede social por 30 dias, com cancelamento de todos os eventos carnavalescos pré-programados e também de jogos

“Nesta segunda-feira foi realmente o ápice de acionamentos de clientes de seguradoras de vários segmentos, como residencial, condomínio, empresas e automóvel”, afirma o executivo. Segundo o executivo da FenSeg, desde dezembro o volume de indenizações tem aumentado significativamente por conta de vendavais, raios e neste fim de semana por inundações. As tempestades derrubam árvores, muros, destelham casas e carregam diversos objetos. Na Porto Seguro, por exemplo, nos segmentos de seguro residencial, empresarial e condomínio, houve aumento de 48% nos avisos de sinistro neste início de ano.

Além dos danos físicos ao imóvel, os atendimentos são para terceiros e principalmente por prejuízos com a falta de energia. “Quando a energia volta, ela vem com força e acaba queimando desde aparelhos domésticos como sistemas de segurança das empresas”, cita Medeiros. So no dia 10 de janeiro foram contabilizados mais de 24.298 raios na Grande São Paulo, segundo a Climatempo.

No entanto, as seguradoras estavam preparadas para isso. “Esses eventos climáticos são os efeitos do El Niño, com chuvas rápidas e isoladas que acontecem em diversas áreas do Brasil, e nesta última semana atingiu com mais força a região Sudeste”, acrescentou Medeiros, em entrevista ao blog Sonho Seguro.
Um dos vídeos enviados por WhatsApp mostra um Fusca levado pela correnteza dentro de garagem de um prédio

Além de se prepararem em termos financeiros para enfrentar um aumento de pedidos de indenizações previsto por alterações climáticas, as seguradoras contratam resseguro, o seguro das seguradoras, e também acionam o plano de atendimento para crises, como chamam o caos desta segunda-feira. “A prioridade é ter um grande número de guinchos e especialistas para atender os segurados e assim ajuda-los a evitar perdas maiores. Todas as seguradoras mobilizaram equipes em várias regiões da cidade para agilizar o máximo o atendimento”, garantiu Medeiros.

#ficaadica – Medeiros alerta para a correta contratação do seguro. “Muitas vezes as pessoas se preocupam apenas com danos ao imóvel e esquecem do conteúdo, que pode ser totalmente perdido com a entrada de água por inundação ou destelhamento”.

A SulAmérica informa que a operação está atuando em contingência, com reforço na central de Assistência 24 Horas e acompanhamento dos casos de alagamento para garantir o melhor fluxo de trabalho. “Ainda, com a flexibilidade de sua operação, a SulAmérica também deslocou, por exemplo, guinchos do litoral de São Paulo para a região do ABCD”, traz a nota.

Os corretores tem ajudado muito a agilizar o atendimento. O corretor Boaz Torres postou nas redes sociais. “Alertamos que o segurado precisa comunicar imediatamente o corretor caso haja alagamento. Não fazer a remoção do veículo por conta própria do local porque a seguradora pode alegar que houve agravamento de risco”, informa o texto postado no Instagram.

O que o seguro cobre – Segundo Medeiros, as seguradoras disponibilizam cobertura para danos causados por tempestades, raios e inundações. No entanto, cada caso é um caso. “É preciso ver o que cada cliente contratou”, diz ele, acrescentando que ano após ano as pessoas estão mais conscientes dos riscos. “Temos contabilizado um aumento de dois dígitos nos seguros residencial e empresarial, com as pessoas percebendo a relação custo benefício de se ter um seguro. Mas a penetração de seguros no Brasil é baixa. Em residencial, por exemplo, o crescimento tem sido acima de 10% ao ano, porém menos de 15% têm seguro. Em São Paulo o número de imóveis segurados passa de 20%. Ou seja, 80% não tem seguro”, diz.