Prestação de serviços em auto popular

Fonte: Revista Cobertura

Assistências semelhantes ao seguro tradicional, mas mais enxutas, e distribuição de peças usadas com garantia de procedência são alguns serviços disponibilizados para a modalidade.

Ainda em fase de conquistar adeptos para sua comercialização, o seguro de auto popular é uma das apostas do ramo auto para a retomada de crescimento. A modalidade ainda encontra obstáculos para expansão, mas conta com uma aliada importante: a queda da venda de veículos novos e o seu reflexo, o envelhecimento da frota.


As empresas prestadoras de serviços para o mercado de seguros já têm observado demanda para esse ramo e se estruturam para o atendimento das novas necessidades.

Conforme Ricardo Sardagna, Head of Sales Americas da AWP Automotive da Mondial Assistance, a empresa já tem recebido demandas referentes a produtos de assistências modulados para o seguro popular. “Fundamentalmente, a questão é criar soluções e produtos mais enxutos, com coberturas mais limitadas e um pacote de serviços um pouco menor em relação ao produto de assistência vinculado ao seguro de automóvel tradicional”, explica.

De acordo com o executivo, a tendência de demandas para esse tipo de serviço é seguir o mesmo conceito do próprio seguro popular, de atender às necessidades desse novo público, mas com um custo menor. “Nós, como prestadora de serviços, vamos à reboque na mesma tendência, ou seja, trabalhar o nosso produto padrão, fazendo com que ele fique mais enxuto, adequado ao seguro popular”.

Para exemplificar, ele lembra que o principal serviço em um seguro tradicional é o de guincho, o que não difere no popular, exceto pela limitação na distância máxima que pode atingir. “Ao invés de ter um serviço de reboque sem limite de quilometragem ou com limite alto, como 500 km, no seguro popular esse limite vai ser reduzido de acordo com a demanda da seguradora”.

Essa linha de atendimento pode se adequar a outros tipos de serviços, como também suprimir alguns, eventualmente. “Um serviço típico no seguro tradicional, que é o carro reserva, pode ser suprimido se a seguradora entender que faz sentido para reduzir custos”.

Ricardo Sardagna acrescenta que o ponto central para a empresa, como prestadora de serviços, é a flexibilidade para criar esse tipo de customização em qualquer linha de negócio. “Para nós não existe um produto padrão ou uma limitação padrão ou algo que não consigamos flexibilizar. Essa é a característica da nossa empresa e é assim que conseguimos atender essas demandas”.

A Mondial, inclusive, já tem atendido demandas do auto popular. Conforme o executivo, atualmente boa parte dos clientes corporativos já solicitaram propostas de produtos de assistência para a modalidade. “Acreditamos que essa é uma das principais tendências para o mercado segurador no que tange o produto automóvel, para um futuro bem breve”.

Esse comportamento também vai ao encontro do desafio do mercado de ultrapassar a barreira dos cerca de 30% de veículos segurados em relação à frota nacional. “Esse é um dos principais fatores para essa alavancagem, até mesmo pelo aumento da idade da frota, número de veículos novos caindo. Isso abre espaço para viabilizar o seguro para carros de cinco anos ou mais”, lembra.

Controle de qualidade

Sergio Della Fina, diretor da Arremate Seguros, com estrutura no Brasil e Estados Unidos, de importação e distribuição de auto peças novas não originais de fábrica, e outra operação de uma empresa que distribui etiquetas de segurança que fazem rastreio de peças usadas oriundas de desmontes do Estado de São Paulo, o que viabiliza o acesso ao estoque de peças usadas da região.

Por conta dessa estrutura, quando a legislação aprovou a utilização de peças usadas as empresas se estruturaram para esse atendimento.

Nesse cenário nasceu a Arremate Seguros, fornecendo peças novas não originais de fábrica e peças usadas com garantia de procedência. “Nós fazemos parte da cadeia de fornecimento de serviços que entrega a peça para a seguradora”, esclarece.

Ele observa que o mercado ainda está resistente em acelerar as operações nessa modalidade, o que influencia a demanda por esse tipo de serviço. “Sentimos o mercado ainda em uma fase de estudos, dúvidas a respeito de como utilizar as peças e garantir a qualidade e procedência das peças usadas”.

Sergio Della Fina também menciona a dificuldade de precificação, pela falta de estatísticas que auxiliem na formação de preços. “Percebemos que existe boa vontade das seguradoras, mas ainda estão em uma fase primária de estudos e formação de opiniões sobre lançar esse produto no mercado”.

Ele pondera que o cenário econômico irá colaborar para a evolução do segmento e que o setor de prestação de serviços está preparado para essa cadeia de fornecimento. “Estruturamos uma operação exclusiva para fornecer peças para seguradoras, com equipe própria, sistema, garantia de controle de qualidade”, compartilha sobre a experiência da Arremate.

Informações precisas

Daniel Figueiredo, diretor corporativo da Infocar, comenta sobre as iniciativas da empresa nesse campo, como o produto Codificador Fipe, que auxilia a seguradora no preenchimento dos dados do veículo. A ferramenta contempla modelo, marca, cor, ano de fabricação, código Fipe e valor atualizado, para que a seguradora possa chegar a uma precificação. Ele destaca que isso evita que o cliente digite um modelo errado, por exemplo.

“Existem muitas situações que as seguradoras precisam se proteger quando se trata de dados de um veículo”. Em resumo, o produto facilita o autopreenchimento e protege as seguradoras em relação aos dados.
Ele destaca os benefícios desse serviço para o auto popular. “Isso faz com que o processo seja agilizado, com menos pessoas envolvidas, e tenha redução de fraudes. Logo, o seguro pode se tornar mais barato”.

Em sua opinião, o auto popular tem três pilares: autopreenchimento das informações, com mais sistemas e menos pessoas, o que reduz custos; que haja menos fraudes, o que exige que os produtos por trás do seguro protejam as seguradoras para que esse índice caia, e a questão das peças. Nesse cenário, a Infocar atua nos dois primeiros pilares.
Uma outra frente de atuação da empresa também colabora para a redução de fraudes, o Pesquisa de Leilão, uma vez que veículos de leilão têm maior risco de fraudes na maioria dos casos.

A pesquisa da Infocar além de informar se o veículo é de leilão, divulga o grau de dano que o carro tinha. “Queremos dar transparência para o mercado, consumidor final, seguradoras e vistorias, da situação real do veículo, para que quem tomar a decisão saiba o que está fazendo”, explica Figueiredo, ao frisar que o fato de um veículo ser procedente de um leilão não necessariamente o sentencia como um risco ruim. “Essa pesquisa é importantíssima para o momento do cálculo do seguro ou o momento da emissão”.

As informações são captadas pela Infocar em todo o Brasil, e são disponibilizadas para seguradoras, financeiras e empresas de vistorias.

Ainda no que tange à prestação de serviços para auto popular, o executivo menciona a Vistoria Eletrônica, que informa se o veículo tem perda total, roubo e furto ativo, leilão e restrições judiciais. “É um pacote de informações que determina se o veículo tem problemas ou não”. Esse processo colabora para que a seguradora direcione o veículo para uma vistoria física (conforme o grau de restrições identificadas) ou para que o próprio cliente faça a vistoria.

Auto Popular em pauta

O seguro de auto popular foi o tema central de um evento promovido pela Associação Paulista dos Técnicos de Seguros (APTS). Executivos da Tokio Marine e da Azul Seguros comentaram as iniciativas e os desafios para o alcance dos cerca de 30 milhões de veículos que ainda não têm seguro no Brasil.

Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP e na ocasião representando a Fenacor, como vice-presidente na região sudeste, comentou que pouco foi feito desde a Lei do Desmonte. Ele lembrou que, conforme a lei, os Detrans dos estados devem fiscalizar os desmontes para registro e controle das peças, mas ainda falta aos órgãos um sistema informatizado, já que apenas o Detran de São Paulo adquiriu o sistema.